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O enigma da experiência x memória: Daniel Kahneman junho 11, 2011

Posted by conscienciaalterada in Comportamento, Psicologia.
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Com exemplos que vão desde férias até colonoscopias, o vencedor do prêmio Nobel e fundador da economia comportamental Daniel Kahneman revela como nossas duas individualidades, o “eu da experiência” e o “eu das lembranças” percebem a felicidade de forma diferente. Essa revelação tem implicações profundas na economia, na política pública — e em nossas consciências.

Hipnose é opção terapêutica junho 13, 2010

Posted by conscienciaalterada in Hipnose, Transtornos mentais.
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A hipnose é um modo de indução do transe, um estado alterado de consciência induzido de modo gradual e por etapas, por meio de métodos e técnicas  que visam a modificação gradual da atenção. Técnicas que envolvem por exemplo: a fixação do olhar; sugestões verbais; indução de relaxamento ou visualizações; concentração de foco de atenção; por vezes aliadas a recursos ópticos como pêndulos, movimentos com as mãos, luzes e aparelhos eletrônicos.

Durante este processo, o grau de suscetibilidade à hipnose é medido pela capacidade do paciente em desconectar sua consciência do mundo exterior e se concentrar em experiências sugeridas pelo hipnólogo. Quanto maior for essa capacidade, maior será a possibilidade do paciente desenvolver os fenômenos hipnóticos sugeridos, dentre os quais pode-se destacar: amnésia total ou parcial de experiências traumáticas, anestesia, analgesia, relaxamento e redução do estresse, auxílio ao aprendizado,  e alteração de respostas fisiológicas.

Embora durante a indução hipnótica freqüentemente se utilizem expressões como “durma” e “sono”, isso é feito porque tais palavras criam a disposição correta para o aparecimento do transe. Traçados eletroencefalográficos de pacientes em transe, mesmo profundo, aparentemente adormecidos, revelam ondas alfa características do estado de vigília relaxada. O paciente percebe claramente o que ocorre à sua volta, e pode relatá-lo.

Não se sabe ainda concretamente como a hipnose altera as funções cerebrais. Uma das teorias mais aceitas é que ela afetaria os mecanismos da atenção, em um sistema de transmissão cerebral chamado sistema ativador reticular ascendente (SARA). Localizado principalmente no mesencéfalo, o SARA está envolvido em processos como o ciclo sono-vigília e a filtragem de estímulos sensoriais para discriminar entre estímulos relevantes e estímulos irrelevantes.

A parte mais importante da indução hipnótica se denomina rapport, que pode ser definido como uma relação de confiança e cooperação entre o hipnólogo e o paciente. Qualquer violação desta relação com sugestões ofensivas à integridade do paciente resultaria em interrupção imediata e voluntária do estado de transe por parte do mesmo. Infundado, portanto, o temor de revelar segredos contra a vontade ou praticar atos indesejados. Da mesma forma, a crença de que se pode morrer em transe ou não mais acordar é meramente folclórica e não corresponde à realidade. Um paciente “esquecido” pelo hipnólogo sairia espontaneamente do transe ou passaria deste para sono fisiológico em poucos minutos.

Alguns especialistas afirmam que toda hipnose é, afinal, auto-hipnose, pelo fato de depender precisamente da aquiescência ou consentimento daquele que deseja ou, pelo menos, concorda com ser hipnotizado. Quando um hipnólogo induz um transe hipnótico, estabelece uma relação ou comunicação muito estreita com o hipnotizado. Isso, de fato, é essencial para o sucesso da hipnose.

TRATAMENTO DE TRANSTORNOS MENTAIS

Em princípio, qualquer disfunção suscetível de psicoterapia, é tratável com hipnoterapia. Ansiedade, pânico, fobias, depressão, memórias traumáticas, insônia, disfunções sexuais, transtornos alimentares (anorexia, bulimia, obesidade), distúrbios da fala (principalmente gagueira),  e variadas outras sintomatologias, principalmente de origem psicossomática.

Saiba mais em:

Grupo de estudos de hipnose – Departamento de Psicobiologia da UNIFESP

Alucinógenos para o tratamento de depressão, ansiedade e outros transtornos mentais? junho 6, 2010

Posted by conscienciaalterada in Alucinógenos, Transtornos mentais.
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Pesquisas científicas recentes avaliam o potencial psicoterapêutico de substâncias alucinógenas como a psilocibina, o princípio ativo de cogumelos do gênero Psilocybe.

Algumas substâncias, como a psilocibna, alteram profundamente a percepção ou a ideação do ser humano frente a vários estímulos ambientais. Conhecidas como drogas psicodislépticas, psicodélicas, perturbadoras do sensório ou alucinógenas, elas podem estar em plantas, produtos de animais e substâncias sintéticas. Dentre aquelas obtidas de plantas destacam-se: a psilocibina, o delta-9-tetrahidrocanabinol (maconha), a mescalina (peiote ou mescal), a dimetiltriptamina (DMT); além das sintéticas, como o LSD25 e o MDMA (ecstasy).

Demandas da mente humana junho 6, 2010

Posted by conscienciaalterada in Alucinógenos.
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Por Ulisses Capozzoli

Há milhares de anos a medicina divide com a religião o uso de substâncias alucinógenas com a finalidade de alterar a consciência para acessar dimensões não convencionais da realidade. Em muitos casos, e isso ocorre ainda hoje, esses trabalhos são feitos com a ajuda de plantas alucinógenas. Elas permitem a alteração de consciência tanto dos xamãs quanto de seus pacientes. Juntos, eles mergulham em universos paralelos em busca de modalidades de cura que permanecem longe de inteiramente decifradas pela ciência.

No Brasil, encontra-se em evidência a ayahuasca, bebida preparada a partir de duas plantas, o cipó caapi (Banisteriopsis caapi) e a folha de um arbusto, a chacrona (Psychotria viridis) que contém o princípio ativo a dimetiltriptamina (DMT), semelhante à melatonina. Ainda que legalmente autorizado a utilizar a bebida em rituais religiosos, que se espalharam da Amazônia para outras regiões do país, o santo-daime pode ter sua imagem afetada pela violência que atingiu o cartunista Glauco e um de seus filhos. E isso pode tornar ainda mais difícil a compreensão e a aceitação pelo público do uso dessas substâncias, mesmo com fins religiosos.

Já do lado da medicina, pode não ser apenas coincidência que os alucinógenos mais importantes de plantas e determinados hormônios cerebrais – serotonina e noradrenalina – tenham a mesma estrutura química básica. São como cópias de uma chave capaz de abrir uma fechadura, neste caso uma célula nervosa. Entretanto, o que parece prevalecer é uma visão geral sumária em torno da palavra “droga”, quase sempre carregada de sentido negativo. Ainda que seja indispensável discenir o uso de substâncias capazes de produzir alterações de consciência em rituais religiosos, xamânicos ou medicinais de usos abusivos e alienado-alienantes. Não só de plantas como de outras substâncias, inclusive as sintéticas.

A dificuldade de reconhecimento contextualizado e sistematizado quanto ao uso de substâncias específicas para a alteração da consciência, produzindo o que se pode chamar de realidade não comum, está presente na obra do antropólogo Carlos Castaneda. Nas poucas entrevistas que concedeu, Castaneda, um dos gurus da contracultura dos anos 60/70, enfatizou que não fazia uso de substâncias alucinógenas. E só se valeu delas numa fase específica do aprendizado, sob supervisão de seu mestre, para romper o que pode ser entendido como uma armadura de racionalidade cartesiana.

Para Castaneda “nossas expectativas usuais sobre a realidade são criadas por um consenso social. Ele nos ensina como ver e perceber o mundo. O truque da socialização consiste em nos convencer de que as descrições com que estamos de acordo definem os limites do mundo real. O que chamamos de realidade é apenas um modo de ver o mundo, um modo sustentado pelo consenso social”.

Ulisses Capozzoli é Dr. em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP).

Extraído e modificado de Scientific American Brasil Ed Esp 38.